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06-Jul-2009 12:00 - Atualizado em 16/03/2016 09:08

Unicamp mostra um robô para afazeres domésticos

Rogério Verzignasse

O auditório da Faculdade de Engenharia Mecânica estava lotado. Alunos da graduação e da pós-graduação riam, perplexos, com o robô humanoide NAO que, no palco, caminhava e dançava. O equipamento, com apenas 58 centímetros de altura, foi fabricado pela empresa francesa Aldebaran. Dotada de tecnologias avançadas, como o reconhecimento de voz e sensor de emoções, a máquina fez o auditório lembrar, na hora, de Rosie, artefato eletrônico que trabalhava como empregada da futurista família Jetsons (desenho animado da Hanna Barbera, inesquecível para quem beira os 40 anos). E o detalhe é que o robô francês foi mesmo projetado para fins domésticos: fazer companhia, ajudar na faxina. O divertido NAO representa o que existe de mais avançado na robótica europeia.

A vinda do robô a Campinas foi acertada pelo professor João Maurício Rosário, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Além de trabalhar no departamento de projeto mecânico, ele faz parte de um grupo de especialistas que prestam, ao governo federal, estudos prospectivos sobre automação.

O professor, acompanhando a apresentação da platéia, não escondia o entusiasmo. Tratava-se, ali no palco, de um equipamento com características antropomórficas próximas de um ser humano. Totalmente programável, o robô tem 25 graus de liberdade (capacidade de movimento), que lhe possibilita andar, abaixar, levantar. Os múltiplos sensores permitem até a correção de movimentos. O computador embarcado de alta a capacidade dá autonomia ao NAO. É como se ele tivesse visão e audição. "A inteligência fica a cargo do homem implementar", explicou Rosário.

No Brasil, não há robôs humanoides desenvolvidos. Segundo o professor, é altíssimo o custo que envolve a integração de sensores e atuadores. Mas, além do fator econômico, o avanço tecnológico brasileiro também esbarra em entraves políticos. Ainda não aplicamos, de fato, a tecnologia que dominamos. É preciso, afirma, que os governantes invistam mais no setor, formando equipes multidisciplinares de estudos.

Embora o preço atual torne o robô inviável como produto comercial, é imprescindível para o meio acadêmico. Automação e robótica são temas vasculhados há 25 anos por pesquisadores, professores e alunos da Unicamp. "A gente procura fazer parcerias com empresas e instituições de pesquisa do mundo todo, apostando no intercâmbio", disse. "Temos contato com tendências tecnológicas que podem ser desenvolvidas aqui."

No auditório, o robô foi "apresentado" por Romain Daros, gerente de vendas da Aldebaran, que cativou os estudantes falando das imensas possibilidades do ambiente de programação Chorégraphe, responsável pelos movimentos. Tecnologia, por sinal, que pode ir muito além dos afazeres domésticos. Pode ser usada, por exemplo, pelos pesquisadores da área da medicina no desenvolvimento de próteses, exoesqueletos, sistemas de visão artificial. Do ponto de vista acadêmico, o intercâmbio permite a visão prática de conhecimentos que antes eram apenas teóricos.

O humanoide francês exigiu dez anos de investimentos e pesquisas. Mesmo na Europa, só é vendido para universidades e centros de pesquisa (por 10 mil euros). Até 2012, no entanto, o NAO deve ser disponibilizado ao público com soluções mais customizadas.

Agência Anhangüera de Notícias
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