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16-Jul-2009 12:00 - Atualizado em 16/03/2016 09:08

Tecnologia que cria realidade realçada chega aos celulares

Leslie Berlin

Aquela linha amarela de first-down mostrada nos jogos de futebol americano televisionados não está de fato no campo. Mas para os espectadores, ela parece estar lá, assim como a grama e os jogadores. A tecnologia, desenvolvida pela Sportvision e chamada de 1st and Ten, é um dos primeiros exemplos comerciais de uma área da ciência da computação chamada de realidade realçada, na qual o mundo real recebe uma camada de informação virtual.

A realidade realçada, algo que costumava ser coisa de ficção científica, está agora sendo introduzida em smartphones, graças a avanços em hardwares e softwares. Pessoas em Amsterdã que baixaram o aplicativo gratuito Layar em seus celulares podem olhar através da câmera e ver informações sobre restaurantes, caixas eletrônicos e empregos disponíveis nos arredores, sobrepostas aos edifícios.

Essa informação é fornecida por empresas como Hyves, um site de rede social holandês, e ING, empresa de serviços financeiros. As empresas pagam uma taxa para a SPRXmobile, a companhia com sede em Amsterdã que desenvolveu o Layar.

O Layar está disponível nos Países Baixos em telefones com o sistema operacional Android, desenvolvido pelo Google. Maarten Lens-FitzGerald, cofundador da SPRXmobile, disse que o aplicativo será posto nos mercados dos Estados Unidos, Alemanha e Grã-Bretanha no fim do ano. Um produto similar para telefones com Android, chamado Wikitude.me, fornece informações sobre 800 mil pontos de interesse ao redor do mundo, segundo Philipp Breuss-Schneeweis, fundador da Mobilizy, empresa austríaca que desenvolveu o Wikitude.me. Grande parte do conteúdo vem do Wikipédia, ele disse.

Em Wimbledon este ano, a Mobilizy trabalhou com a IBM para desenvolver um aplicativo para o telefone T-Mobile G1 que mostrava informações em tempo real sobre partidas de tênis em andamento, bem como opções de refeição e transporte para os fãs.

Aplicativos como Layar e Wikitude.me, assim como projetos em estágio de pesquisa da Nokia, usam a tecnologia de posicionamento global de um telefone para determinar a localização de uma pessoa e a bússsola do telefone para reconhecer a direção para a qual o aparelho está apontado. Dessa forma, o telefone pode adivinhar o que o usuário está vendo.

O aplicativo de realce da realidade então puxa informações sobre pontos de interesse naquela linha de visão e mostra os mesmos no topo do visor da câmera.

Para que esses aplicativos de localização se difundam, eles precisam de acesso a vastas quantidades de dados atrelados a informações de localização, disse Blair MacIntyre, diretor do Augmented Environments Lab do Instituto de Tecnologia da Geórgia. "Idealmente, eles gostariam de estar conectados ao mesmo banco de dados que o Google Maps, ou Garmin, ou TomTom usam", ele disse. (A Nokia, deve-se salientar, é dona da Navteq, que fornece dados e conteúdos de mapas.)

Essa informação poderia também vir dos usuários. Na semana passada, por exemplo, a Mobilizy introduziu um atributo que possibilita que as pessoas adicionem seu próprio conteúdo ao Wikitude.me. No futuro, pesquisadores vão precisar elaborar uma forma de compensar as falhas dos sistemas de GPS e bússola, que não são perfeitamente precisos, segundo MacIntyre.

Ele espera que isso possa ser obtido por meio da tecnologia de reconhecimento de imagem.

E as pessoas podem querer ver sua realidade realçada do mundo não apenas em aparelhos que tiram de seus bolsos, mas em algum tipo de tecnologia que possa ser usada no corpo, como óculos especiais ou lentes de contato. Tais aparelhos ainda estão nos estágios de protótipo.

"O que estamos vendo hoje nesta área são passos iniciais", concordou Ori Inbar, que escreve o blog Games Alfresco sobre realidade realçada e que é cofundador de duas jovens empresas de realidade realçada: Arballoon, em Tel Aviv, e Ogmento, com escritórios em Nova York e Los Angeles. "Mas as pessoas estão realmente entusiasmadas, porque podem ver os passos que estão por vir."

A realidade realçada irá "reinventar" muitos setores, incluindo o de saúde e treinamento, prevê Inbar. Atualmente, pesquisadores da Universidade Técnica de Munique já estão investigando maneiras de mostrar leituras de raio-X e ultrassom diretamente no corpo de um paciente. Um projeto de pesquisa da BMW está explorando como a visão da realidade realçada sob o capô pode ajudar mecânicos de automóveis em seu trabalho de diagnóstico e reparo.

No curto prazo, o setor que poderá ter o maior ganho da realidade realçada é o de jogos.

Embora videogames tenham tradicionalmente tirado os jogadores do mundo real e os levado para um mundo virtual, os jogos de realidade realçada têm o potencial de "envolver as pessoas no mundo real de uma forma diferente", disse Daniel Sánchez-Crespo, líder de projeto da Novarama, uma desenvolvedora de jogos com sede em Barcelona. "Isso encontra um novo significado do espaço. O balcão da cozinha não é apenas onde você prepara o jantar; ele pode ser uma pista de corrida para um jogo de carros."

A Novarama desenvolveu um jogo chamado Invizimals, que faz o mundo parecer como se fosse habitado por criaturas invisíveis, capazes de interagir entre si. A Sony planeja lançar o Invizimals para o PlayStation Portátil nesta temporada de festas de fim de ano na Europa, Oriente Médio, África, Ásia e Austrália. "O mundo real é chato demais para muitas pessoas", Sánchez-Crespo disse com uma risada. "Ao fazer do mundo real um playground para o mundo virtual, podemos tornar o mundo muito mais interessante."

Leslie Berlin é historiadora de projeto dos Arquivos do Vale do Silício em Stanford.
E-mail: [email protected]

The New York Times

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