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28-Jul-2009 12:00 - Atualizado em 16/03/2016 09:08

O conceito 'casa digital' não ficou restrito ao desenho dos Jetsons

Por Janaina Pereira

O conceito ‘casa digital' não ficou restrito ao desenho dos Jetsons. Ele chegou definitivamente: várias empresas já fornecem soluções para transformar o ‘lar doce lar' em algo high-tech, onde os cômodos acendem com o comando de voz e para teclar no computador basta um ligeiro toque. Mas você sabe o que é e como funciona essa casa?

Há 20 anos, quase tudo era analógico. Os componentes e equipamentos eletroeletrônicos eram, em geral, volumosos, devoradores de energia e de funcionamento menos confiável. Hoje, ao contrário, vivemos um processo acelerado de digitalização, nos CDs, no DVD, no celular, no computador, na internet, nas redes com fio e sem fio, na TV por assinatura e até mesmo na TV aberta e no rádio, com a chegada da TV digital.

Com essa evolução, os componentes eletrônicos se tornam cada vez menores, mais complexos, duráveis, de maior qualidade, de baixo consumo de energia e, acredite, mais baratos. Um exemplo é o telefone celular. Atualmente, os aparelhos mais modernos dispõem de câmera fotográfica digital, acesso a internet, baixa música em formato MP3, recebe e transmite e-mails, armazena endereços e números, possui sistemas de localização via satélite ou GPS, recepção de televisão analógica ou digital e reconhecimento da voz do dono.

A partir dessa (re)volução criou-se o conceito da ‘casa do futuro', uma residência idealizada por muitos fãs de informática e arquitetos apontados como ‘revolucionários'. Até hoje ela tem nomes diferentes, como casa inteligente, eletrônica, automatizada ou digital.

Mas ‘casa digital' acabou sendo o nome mais adotado, pois dá a ideia exata do uso de tecnologias digitais - computador, redes de banda larga sem fio, internet de alta velocidade, centros de controle de mídia (media centers), home theaters, comunicação interna e externa, sistemas de automação e controle de energia, do ar-condicionado e de segurança e identificação de pessoas.

Integração total dentro da residência

Na casa digital, a grande tendência é integrar o máximo de serviços e funções com o protocolo IP via home media center. O que esse centro de mídia exige é um monitor, que pode ser pequeno ou uma grande tela de plasma, em cada cômodo.

A tela desses monitores é sensível ao toque de nossos dedos. Nela vemos tudo que se passa na residência e comandamos tudo à distância. Se estamos na cozinha e vemos no monitor uma porta aberta no quarto das crianças, podemos fechá-la apenas tocando o comando correto no teclado virtual na tela.

E os fios, um grande tormento para quem gosta de ter em casa tanta tecnologia, onde eles ficam? Ainda temos muitos fios e não poderemos nos livrar deles no caso das redes elétricas. Mas, na comunicação entre equipamentos, as coisas evoluem. Quase tudo numa moradia moderna pode comunicar-se sem fio.

Com pequenas caixas, chamadas de roteadores, são criadas redes sem fio cujos sinais de rádio estão preparados para a linguagem eletrônica dos bits e do protocolo IP. Uma dessas redes é a Wi-Fi, em que é possível interligar computadores, celulares, televisores, telefones sem fio e sistemas de segurança.

A casa digital deve prever também os riscos e as agressões potenciais do mundo externo. É necessário criar proteções contra o barulho, a poluição, os furtos e a violência das grandes cidades, perigos que estão longe de ser vencidos ou reduzidos. A eletrônica traz boas respostas em matéria de segurança, com sensores e câmeras minúsculas de TV espalhadas por pontos estratégicos.

Nesse aspecto, o melhor é chamar profissionais e empresas especializados para implantar o que há de mais moderno e confiável. Também nessa área os preços estão caindo, embora com velocidade menor do que no caso dos monitores de plasma - que eram tão caros e hoje se tornaram uma febre de consumo.


Orby para telefonia residencial

Seguindo este caminho, a Telefônica já disponibiliza - a princípio somente em São Paulo - o Orby, aparelho de telefone residencial com tela sensível ao toque e conexão à internet por meio de banda larga. Ele permite o acesso, por meio de teclas, a serviços de notícias, guia de restaurantes, cinema, previsão do tempo etc, além de funcionar como telefone fixo. De acordo com a empresa, o Brasil é o primeiro país do mundo a contar com a novidade.

Conteúdos de jornais, revistas, portais de notícias e sites como o Flickr e o YouTube, entre outros, estão disponíveis no Orby. O aparelho também pode ser usado para fazer chamadas VoIP e ouvir rádio, além de outras atividades. O preço é de R$ 1,6 mil, e ele faz parte do projeto da empresa de Lar Digital. "Queremos trazer aos usuários serviços e dispositivos que integrem e facilitem o uso de diversos aparelhos eletrônicos e de informática de uma residência", comenta o presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente.

O Lar Digital da Telefônica passa também pela expansão da rede de fibra ótica. Com ela, a empresa quer difundir os serviços de comunicação combinados, como voz, internet e TV. O plano de expansão de rede de fibra ótica já atinge 20 bairros da capital paulista e oito cidades do interior de São Paulo.

Outra ação concreta em favor do "lar digital", segundo Valente, é o início da comercialização, por meio da subsidiária ATelecom, de soluções de "automação residencial". A Telefônica, em parceria com incorporadoras do mercado imobiliário, implementa essas soluções na fase de construção dos imóveis.

Os pacotes incluem projeto, instalação e manutenção de dispositivos controláveis: dimmers, termostatos, sensores de presença e contato, painéis de controle remoto, câmeras IP, áudio e vídeo e fechadura com biometria, entre outros. A Telefônica oferece também uma central de automação, uma espécie de computador para a programação destes dispositivos controláveis. Os serviços já estão disponíveis no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Além disso, a empresa comercializa serviços como o portal de internet do morador, que permite acessar remotamente os controles da casa. Em uma segunda fase, as soluções em automação residencial serão comercializadas também para condomínios e diretamente aos clientes de construções já existentes.

"Pretendemos, além de fornecer serviços de comunicação, entretenimento e informação, atuar como um importante indutor na transformação do conceito de ‘lar digital' em realidade para os clientes", diz Antonio Carlos Valente.


O custo dessa "brincadeira"

Para adquirir uma cesta básica de produtos de tecnologia e montar uma moradia com o conceito de Casa Digital, o brasileiro precisa de 9,5 salários. É isso que aponta a pesquisa "Índice Casa Digital" realizada pela Marco Consultora, consultoria especializada em desenvolvimento e implementação de serviços de marketing.

O salário de comparação é de R$ 1.274,00, renda média do brasileiro, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A cesta básica do estudo é composta por produtos das áreas de imagem (televisor e câmera digital), áudio e vídeo (home theater com reprodutor de DVD), comunicação (smartphone), TI (notebook) e entretenimento (videogames).

Em sua terceira edição, a pesquisa mostra uma elevação no número de salários, em relação ao levantamento anterior, para ter uma casa digital. Em maio de 2008 eram necessários 7,5 salários; neste último levantamento (dados de janeiro) 9,5 salários; mesmo assim é inferior aos 10,4 salários necessários em maio de 2007.

"O aumento na cesta de produtos neste levantamento pode ser explicado pelo índice de inflação ser maior que o aumento de salários, que no atual contexto de crise mundial, com a desvalorização das moedas locais, crescem em dólares a um ritmo mais lento que o preço de novos produtos", diz Henrique de Campos Jr., gerente de Market & Business Inteligence da Marco Consultora.

Os produtos da casa digital que mais comprometem o salário do brasileiro são televisor e câmera digital (3,5 salários); seguidos pelo notebook (2,5 salários), pelo videogame (1,4 salário), pelo home theater-DVD (1 salário) e smartphone (0,9 salário). Com esses dados, percebemos que o sonho da casa digital é possível. Mas, por enquanto, seu preço ainda faz o consumidor perder o sono.

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